o gel da invisibilidade

mal tive tempo de acreditar no que estava vendo - a atriana usando descaradamente o meu casaquinho azul no saguão, sendo que eu sabia que ele havia sido estraviado -, pois, direto do fosso da orquestra, era a hora do número da invisibilidade.

do fosso saíram os dois homens que realizariam a técnica. os dois tinham a cara toda escalavrada, isso por causa do gel-creme que passavam pra ficar invisíveis.

depois de passarem o gel, eles entraram cada um numa lata de lixo de ferro, e começaram a girar, até criarem redemoinhos e desaparecerem neles.

impulsionados pelos redemoinhos, eles trocaram de posição (com a velocidade de aproximadamente 20km/h), numa trajetória em arco, sem desvirar a cabeça, mas nem por isso deixando de aparecer em pé na outra lata.

esse número me deu a grande ideia de usar o gel-creme para resgatar o meu casaquinho azul, de modo que estou até hoje dividida entre a vestimenta e a minha cútis.

bate-papo animal

no mercado tava passando um filme japonês repleto de canudos, varas e fitas maleáveis, culminando em uma luta mortal. no intervalo, passou a propaganda do marcos palmeira, aquela em que eu dublei a voz dele.

me juntei à peregrinação do casal idoso pelo deserto, onde achei um gato perdido que viria a se tornar meu grande amiguinho. ele falava por pensamento, assim como o mingau, e eu ouvia tudinho, de modo que batíamos o maior papo. entretanto, com a proximidade do fim da peregrinação, ele ficou desconfiado de que eu iria acabar abandondo ele, por não ter jeito com seres vivos, mas eu garanti que isso não ia acontecer, pois já tinha comprado até um chip pra ele, procedimento que concretizava a adoção.


o drama do vitiligo

viajei para visitar minha madrinha. da rodoviária até a casa dela fui de bicicross de carona com meu primo buiz. com um grande impulso num morro, voamos sobre as casas, e a darissa, que de repente tava na minha garupa, gritou: “ó lá o tio bineiro!”. descemos, e na mesma hora chegaram as crianças, que vieram a pé pelas quadras. no entanto, a laiane ficou pra trás. saímos todos à procura de laiane. “laiane! laiane!”, e nada. fiquei muito preocupada. então fui procurar no apartamento dela, escondida, para os pais não ficarem sabendo do ocorrido. laine não tava lá, e no elevador a irmã bebê dela tava querendo fugir pra rua, mas consegui encaminhá-la ao nono andar novamente.

acabou que a família ficou sabendo e a busca ganhou uma grande repercussão na cidade. fui com meu grupo pegar o transporte público, que eram barcos flutuantes. lá no terminal tinham dois barcos que já iam sair. no primeiro ia ter show do artista que era a junção de julio iglesias com o chris angel, e no segundo o “new cast on the block”, a junção do new kids com o backstreet boys. queria muito ir no segundo, mas pra agradar meu primo, que tava me ajudando, fui no primeiro, me separando do meu grupo. porém, a turma dele se revelou de uma gangue super perigosa, e, quando descobriu que eu tava querendo ir embora, resolveu me punir, fotografando meu bumbum quando eu tava no banheiro.

a partir daí as máscaras caíram, descobri que eles tinham raptado a laiane, que por sua vez virou uma junção entre ela e minha mãe, tornando a questão mais delicada ainda para mim. me vi frente a frente com os figurões da subgangue, uma facção da grande gangue, comandada por buiz. estávamos sentados em círculo, era o momento da decisão, e eles tinham olhos brilhantes vermelhos, assumindo caracteres sobrenaturais, de modo que em nada adiantaria o golpe que eu visualizei, pra matar todos com uma cajadada só. ao entrar nesse terreno do sobrenatural não ia ter jeito mesmo. conclusão: acabamos todos mortos.

no outro dia, já pronta pra outra, tive uma surpresa desagradável: meu reflexo no espelho tinha vitiligo.

também me intrigou a ida à ilha que unia num só lugar todas os córregos, rios e cachoeiras nos quais eu já tinha estado. na cidade, os jovens jogavam handball radical na rua, enquanto eu só pensava: “estou literalmente ilhada”.

o bom é que eu finalmente decidi o tema da minha tese de mestrado: a análise das piadas do lenny, nosso querido detetive idoso de law and order.

o imitador maltrapilho

mas na creche o clima ficou esquisito. precisei esconder minhas coisas pro imitador maltrapilho parar de me rondar. ele apareceu com uma bolsa idêntica à minha, com as mesmas coisas dentro. e deixava em lugares estratégicos pras pessoas acharem que era a minha. foi horrível. mas depois ele sumiu e passaram no data show umas imagens da minha outra vida, onde eu era um moleque de braço levemente definido.

para surpresa de todos, o alessandro foi classificado entre os japoneses na competição japonesa.

aí eu era dona e administradora de um estabelecimento. e eu trabalhava de longo. tive que sair pra acompanhar a manifestação que acontecia em frente, onde os pedestres defendiam os direitos dos motorizados. tive que representar os pedestres na encenação, graças ao meu grande senso de justiça.

entre gatos e camelos

“eu tava decidindo pra onde eu ia no carnaval. daí eu me
toquei que em qualquer lugar do brasil ia ter muvuca de gente PULANDO
CARNAVAL. aí eu decidi ir pra argentina. e a minha mãe falou que lá
também tem carnaval. aí eu falei que merda. eu tava no carro e a gente
parou na frente de um show do camelo. aí eu pedi uma música, e ele
perguntou o meu nome. eu falei. e ele veio e abriu a porta do carro e
me levou pro palco. e tinha uns gatos e uns cachorros. eu pensei, já
que eu não sei cantar, vou pegar um filhotinho e ficar fazendo pose.
aí tava decidindo se pegava um gato ou um cachorro.”

aventura enviada por @mon_cou

TRANZER HAHAHAH

KKKKKKKKKKK ROCK SEXUAL

poucos pixels

cheguei na confraternização da nadália. pena que quando fiquei apertada descobri que o banheiro ficava a céu aberto, no terreno ao lado, bem por onde vinham chegando os novos convidados. fingi na hora achar graça.

depois, lá no pantanal, tava com o tranzer na casa do nosso amigo pantaneiro, assistindo o programa do gugu, quando começou a atração musical cantando o funk do tranzer. o alessandro ficou tão lisonjeado… fomos então todos alegres andando sobre a lama para chegar na moto e ir embora, mas só dava pra sair de lá de uno.

no bairro, eu tava esperando a buana chegar com o caminhãozinho do meu projeto financiado pelo governo. era o meu projeto baguncinha, e o caminhão era todo personalizado com a imagem gigante do baguncinha. só que como a imagem era pequena (poucos pixels), ao ampliar ficou meio deformada, o que por sua vez só trouxe mais irreverência ao projeto.

e no aniversário da nossa querida poxoréu, fizeram uma linda homenagem em cima do morro, transmitida pela televisão local; eu tava assistindo tudo lá de baixo. no discurso do meu pai, ele começou a falar de mim, mas citar nomes era proibido. pelo menos não precisei falar no microfone.

no outro dia, eu tava trabalhando na fábrica quando todos saíram para ir no show da cantora elton john, ao qual eu não ia, de modo que me deixaram esperando na praia. ainda bem que nesse momento começou o discurso do obama na orla, quebrando a monotonia.

um convidado trapalhão


a festa da minha mãe tava até legal, mas confesso que ficou bem melhor depois que chegou o dedé santana. foi um momento muito bonito, pois nessa festa ele deixou de ser escada para se tornar a estrela principal. parabéns, dedé, você merece!

(dedé em o comando maluco)

um baita sermão

a produção do gugu me ligou. eu ia participar de um quadro sobre amizade; a mulher melancia, minha amiga de infância, que me indicou. eu nem ia ter que ir no palco, minha participação ia ser via webcam mesmo. mas eles acharam um vídeo antigo da gente andando no bairro areão e botaram no ar - ela sempre requebrando (seu ênio adorava).

depois eu passei na frente da casa da beira do barranco, cumprimentei os velhos padrinhos, mas vi que uma criança estava rolando barranco abaixo. pena que não consegui mover um dedo sequer para salvá-la. de modo que levei um baita sermão.

só que no alto daqueles prédios bambos tinha umas pessoas engatinhando na corda que ligava os dois prédios. mas tudo bem, as pernas delas não caiam fora da corda, era um campo protegido das leis da física.

palhaço? como palhaço não entrava no shopping??

meus medos

minha missão era encontrar provas então entrei no poço que levava ao mundo subterrâneo virtual. de lá tive que ir mergulhando no ar até o metrô que tocava música de festa junina e levava à locadora cibernética, só que acabei invadindo a reunião do sobrado e fui capturada. naquela sala eu tive que enfrentar meus medos, um a um, atacando com o taco de baseball direto na cabeça.

mas quando eu tava quase zerando, o papai noel calvo disse que era preciso dar a chupeta pro mário. nessa o alessandro propôs fugirmos pelos bueiros, pois era apenas uma armadilha.

foi difícil ir contra a correnteza de pessoas seguindo o ritual do fluxo, mas acabou dando tempo de eu fazer meu orçamento dentário.

cheguei no clube apenas pra acompanhar atília na prova da piscina. vários senhores estavam ao redor da piscina, de modo que fiquei constrangida, mas os prêmios (relógios de parede de ouro) me convenceram a participar. como eu já tava de biquíni, facilitou. dava até pra respirar debaixo d’água, com o esguicho de ar perto dos nossos narizes; o problema mesmo era decorar todos os passos. conclusão que eu não decorei e no meio do mergulho me atrapalhei com as tarefas.

já na repartição, o drama era tentar revertar a mancada burocrática que eu tinha feito envolvendo bonecas barbie falsificadas, o que ia acabar sobrando pro alessandro… pior foram os cigarros me queimando durante a transmissão do jogo pelos comentaristas da repartição - tais como fernando vannucci.

diversão só encontrei na bahia. eu e minhas irmãs távamos hospedadas no casarão antigo de uma tia distante. de frente dava para ver lá embaixo do barranco o primeiro gritto de carnaval. um olodum tocava embaixo da ponte, de costas para o público, que tava em cima da ponte, e de frente para nós - inclusive fiquei emocionada. obs: era tradição tocar de costas para o público.

e olha que o dia ainda prometia uma viagem ao espaço, que desvendaria a ligação entre todas essas aventuras. fique ligado!